Abstração
de Olavo Bilac(2010)
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Mediu
Há no espaço milhões de estrelas carinhosas,
Ao alcance do teu olhar... mas conjecturas
Aquelas que não vês, ígneas e ignotas rosas
Viçando na mais longe altura das alturas
Há na terra milhões de mulheres formosas,
Ao alcance do teu desejo... mas procuras
As que não vivem, sonho e afeto que não gozas
Nem gozarás, visões passadas ou futuras.
Assim, numa abstração de números e imagens,
Vives. Olhas com tédio o planeta ermo e triste
E achas deserta e escura a abóbada celeste.
E morrerás, sozinho, entre duas miragens:
As estrelas sem nome- a luz que nunca viste,
E as mulheres sem corpo- o amor que não tiveste!
