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ILEANA

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ILEANA
Tudo que fazemos é exaltar a loucura,
Sob a luz e a sombra, preconceitos nos espreitam,
Nossa planície é o assoalho das piscinas dos oceanos,
Onde cavalgamos orgulhosos orgasmos literários,
Escritos em nossos olhos famintos,
Empalados mutuamente por amor a liberdade,
Nós, sacerdotes alquímicos abstrusos,
A contemplar universos em nossas carícias,
Êxtases livrescos de infinitos capítulos.
Releio o “Bosque Proibido” em teus cabelos,
Letras de ouro a refletir sois em tua face,
Mistérios do Tempo, História e Morte,
Confinado em silêncios que transcende as álgebras,
E lógicas, tabus, tradições obsoletas,
Mergulhados em sensualidade sem vestes,
Latinidades do Danúbio e do Capibaribe,
À percorrer um só chão atapetado de volúpias e lendas,
Cânticos e gemidos que ecoam do Alto da Sé aos Guararapes,
Da tua Transilvânia fria ao meu sertão em brasa.
Tudo escrito em nossas roupas pretas, em nossas almas,
Engasgadas de rock hardcore e vodka polonesa,
Essas almas negras e judias sem fronteiras!
Vagearemos sonhando com o Brasil e a Romênia,
Perdidos, não há voltas, perdidos de amor,
Como velhos professores de coragem, olhando nossas barcas,
Desaparecerem nas aguas límpidas da vertigem e do orgasmo!
Nossas mãos cúmplices e desatadas,
Não são peças de enxadristas, nada nos objeta,
Nosso amor comum por Israel e seu santo esoterismo,
Ah! nós eternos estudantes em quantas vidas e mundos!
A meditar todos os Nomes inscritos em nossos Abismos,
Unindo Ancião e Criança, como se fôramos jovens eternos.
Os heróis de teu povo pisado por eslavos e germânicos,
São os heróis do meu povo, assim mesmo por franceses e holandeses,
E nossos beijos consomem madrugadas lentas,
Num culto comum de pátrias e de lendas,
A dos heróis e dos beijos,
Pois que seriam desses, não fossem aqueles.
Que seria de tanto sangue generoso se não nos amassemos
Pois o derramaram como caminhos e sementes,
Transmutação de todos os valores,
Que morram todos falsos valores,
Sepultados em nossas gargalhadas!
Na escuridão me destes Allen Ginsberg, que recitamos juntos,
Borrougs, Kerouac, Ezra Pound, Walt Wihtman,
Ah! Walt Wihtman! Tu o recitastes em delírios,
Ou deliramos porque o recitastes, eis a questão.
Somos, William Blake, tua imagem e semelhança,
Deus passeando em nossos jardins, florestas de todo mundo,
As árvores repletas de anjos,
Vimos mundos em grãos de areia,
Céus em flores silvestres,
Infinitos em palmas das mãos,
Eternidades em cada instante!
Naquela madrugada nos demos mutuamente as almas,
Sob bênçãos do guru Ginsberg, pálido e embriagado,
Firmamos pactos eternos sobre o tabuleiro de xadrez,
Eu, a América Latina, tu, a Europa,
Fundando nova religião e novo Woodstock,
Místicos de todas as eras nos testemunham,
E Edith Piaf, Ofra Haza, Madonna e Madonna,
Madonna Ciccone, Regina Dominatrix,
Nossos ídolos do jazz, sacrossantos,
E todo louco rock, progressive, hard, black, gotic,
Temtation, Masterplan, Darkwel, Tristânia,
Que dançamos com Narayana e Lakshmi.
Deitados ao redor da piscina, contávamos estrelas,
O céu enorme pergaminho com inscrições de fogo,
Que rezam assim, nova Tabua de Esmeralda,
“O que está na Romênia é como o que está em Pernambuco”,
E descobrimos calmamente que nascemos póstumos,
Para a Europa e a América Latina,
A escrever poemas mandálicos nas teias da vida,
Para depois apaga-los na humidade do sexo,
Nosso sexo percussivo, frenético, Ozzy Osbourne, Marylin Manson,
“Paz, Sem Drogas e Sonhos”, nossas mentes férteis,
Gerando universos conceptuais, nova família, nossa família,
Poligâmica, poliândrica, até monogâmica...mas sem proprietários,
Eu tua lésbica, lésbica de todas, mas sempre de costas,
A tantas governos prostituídas em altares corruptos,
Nada somos que mera máfia afetiva à caminhar criadores,
Com leis que se resumem em nossas gargalhadas românticas,
Luxuriosas, povoadas de caos e incertezas,
Nossa incerteza intelectual equacionada pela arte,
Arte, nosso portal para os Mundos Infinitos,
Fazendo do sexo, arte, e da arte concubinato,
Entre o céu e a terra.
Demolimos todas as fronteiras da paz e da guerra,
E todos os povos e nações e tribos, e aldeias,
Os cegos, os famintos, os surdos, os drogados,
Os torturados, os enlouquecidos, os ciganos, os solitários,
Os discriminados, os excluídos, os esquecidos,
Os rockeiros, os homosexuais, as prostitutas, os travestis,,
Todos de mãos estendidas para os céus,
Todos de mãos dadas, a irmandade dos negros da alma,
Nós dois a beijar-lhes os pés, todos nossos filhos!
Estranhas tribos geramos em incontido amor,
Desdenhando da prosperidade mundana, materialismo abstrato,
Congelado de egoísmo, coração fechado,
Chutemos a bunda dos congelados, dedo médio em riste!
Sabedorias inspiraram romper ritos de degradação,
Imperativos falsos de castrações verdadeiras,
Cabeças baixas em rede! Conformidades! Dogmas de pigmeus!
Sujeição aos proprietários de qualquer esquina,
Vomitamos os vermes dos controles esdrúxulos,
Mas , pobres vermes, apenas tecem seus trabalhos!
O centro do universo não é a estação de Perpignant,
Mas a arrogância , células de cifras e marketing de salvadores,
De costas para o Tibet e o Malawi, nós de costas para eles.
E nos adoramos como únicos, indivisíveis, irreproduzíveis,
Mas não disseram que a Deusa era invisível?
Sim, só até que te olhemos Ileana...!
E olhamo-nos terrivelmente assustados,
Quem és tu afinal que me arrebatas a todos delírios,
Estuprando lógicas, raciocínio, falsas sanidades,
Assim quando olhavas para mim, dizendo mantras,
“Não, nada invisível!
Pois te vejo agora, destruidor de velhos mundos!
Percorremos todas as árvores de vidas,
Abraçados na paz de todas as florestas,
Ressecadas, queimadas, abandonadas,
Para além de todos os escárnios,
Mas que verdejarão mais uma vez, e outra vez,
Regadas por nossas lágrimas mendicantes,
As mesmas que lavam os rios moribundos,
As aguas, as aguas, nossas filhas!
Porque os filhos da puta turvam todas as aguas?
Águas de seiva, sangue, suor, esperma,
Ah! Bjork! Que canto experimental é este mundo?
Nossos corações são apenas um à alimentar dois corpos,
Resta ainda uma fronteira, partilhemos os corpos,
Da-me teus cabelos, te dou meus olhos,
Que te contemplam em mística embriagues do sexo,
E por diversas que doravante sejam nossas histórias,
E o serão, já está escrito até em línguas mortas,
Então pé na estrada que o sol já se põe!
Ensandecidos em cavernas de despedidas,
Compomos cantos líricos a nossa nudez,
A escrever novas mitologias, mitologias não têm idade,
Mircea Eliade sairá do túmulo a estuda-la,
Nos juramos culto eterno, sempre aos pés do outro,
Mãos generosas de todos ao outro,
Selando-o com beijos-ritos,
“Caliente, brazilian-rumanian-planet-pie,
Nossos lábios colados aos seios, cozidos em frituras
De gengibre, pimenta, cury, álcool, muito álcool,
Tudo mastigado em comunhão de alho,
Quanta sede, nossas bocas em busca de vinhos multicolores,
Vinhos do sexo em todas as línguas,
Vinhos de todas as línguas ao sexo!
Pois somos um só, Da Vinci nos desenhou andróginos!
Literatura e biologia, nós borboletas a cativar lagartas em massa,
Nós frutos e flores a plantar sementes espirituais,
De novas gerações sem medos, ousadas ante todos abismos,
Escarremos nos caretas! Escarremos nos caretas!
A gritar, todos nós um só, todos nós um só:
“Quero o amor, nasci para isso, quero você comigo agora!”,
Nosso pingente, eneagrama de nossas vidas,
Máxima da Deusa:
“Vida é mistério, todos devem levantar-se sozinhos”
Mas...tomem-nos as mãos! Tomem-nos as mãos!
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Antonio Carlos Duques. “ILEANA.” Atelier, Poezie.ro, https://poezie.ro/atelier/antonio-carlos-duques/poezie/13943991/ileana

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