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O Conto das Lamenta Ações

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O CONTO DAS LAMENTA AÇÕES
Antonio Carlos Duques
A menina que amo me faltou à palavra,
Foi e não veio, vem mas fica longe,
Onde pôs a túnica dos seus encantos?
Caí em jugo de solidão e lágrimas me desnudam.
Belas amantes me cercam com gemidos de volúpias,
Mas suas carícias são como muralha e servidão,
Sonho com os olhos da menina,
Desespero por seus beijos e abraços.
Que absinto, que veneno é a saudade da menina,
Quanto eleva o peso das minhas cadeias,
Não posso mais estar com ela, não posso ficar sem ela,
Pavor e abismo não me cabem, pois se fecha como nuvens,
Para que ignore a aflição, o desassossego,
Seu silêncio é como arco e flexa,
Caçam-me e perseguem-me como a um pássaro,
Rola uma pedra sobre mim e digo: estou perdido!
As graças dos seus passos agora são marcha de guerra,
O ouro se ofuscou e pedras sagradas rolaram nas esquinas,
Está cercada de inimigos, eis que ela os ama,
Bem mais que a mim, tudo está doente,
De cegueira da menina! Que foi feito da ternura?
Há escuro de fuligem em seus caminhos,
Pois os chacais dão as mamas e nutrem suas crias,
Mas da bela menina nasceram crueldades e tormentos.
Crianças têm sede dos peitos de suas mães,
Eu, pelo dia do seu encontro, como amo a menina!
Vou juntar todas as pedras sagradas em seu lugar,
Muitas raposas rondam qualquer alegria,
Amontoam venenos, dificuldades, e pisoteiam,
Reforço-me com trigo e vinho, ternuras não se esgotaram,
Eis que trarei de volta à minha memória,
Mágicos dias em que a vi.
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